terça-feira, 17 de abril de 2012

Revolucione!


       Para alguns intelectuais, Jesus é tido como um grande revolucionário. E muitos deles afirmam que o evangelho tem grande poder de transformação social. Realmente, suas palavras tem ecoado através dos séculos, e modificou a vida de muita gente.

       Que Jesus era comunista ou algo semelhante? Não. Que ele quis se rebelar contra o sistema vigente na época? Eu também diria que não. É claro que isso não significa que concordava com as injustiças sociais.
       Sabemos que todo o regime que se instaurou em uma sociedade, com o discurso de fazer justiça, no fim produziu mais injustiça. Temos o exemplo mais clássico, que foi a União Soviética. Até acredito que muitos desses homens tinham boas intenções. Mas não conheciam suficientemente o ser humano pra saber como podiam concertá-lo. É como um equipamento de última geração, que quebra. Somente o fabricante sabe concertar. Outros só vão conseguir concertar se aprenderem com quem fabricou o aparelho.

       Do contrário de muitos homens, Jesus não se rebelou. Cumpriu a lei religiosa e a lei humana. E então revolucionou mostrando às pessoas que somente a justiça de Deus seria perfeita e eficaz, e que essa justiça passaria a ser acessível a todas as pessoas do mundo, por todas as gerações. Mas o que garantia isso? Como aconteceria?

      O que garante a eficácia de suas palavras é o fato de o próprio Deus ter vindo até nós na pessoa de Jesus, e ter feito grandes sinais e revelado o que estava oculto em muitos corações. Ele ainda faz grandes coisas através dos Escritos que ficaram aqui, que falam à respeito dele. Escritos que só tem força por Seu Espírito que atua.

     É aí que se explica o fato de o Evangelho ter poder de transformação social também. Por que o "discurso ideológico" de Jesus é o amor. O amor perfeito. Aquele amor que só recebendo dele é que somos capazes de dar. Quem ama não procura seus interesses egoístas, que muitas vezes gritam dentro de cada um de nós. Mas viver o evangelho é isso. É deixar o amor de Deus tomar o lugar do ego aos pouquinhos, dia após dia. Isso é revolucionar. É fazer com que "venha a nós" o Reino dos céus. 

"Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade; assim na terra como no céu."     Mt 6.10

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

vídeo EMF

video



 Um vídeo de minha autoria, sobre a Escola de Missões de Férias da JOCUM Campinas, que aconteceu em Julho deste ano.

Não perca a EMF de janeiro de 2012! Inscrições abertas pelo site http://jocumcampinas.com/ !

CONHECER A DEUS, E FAZÊ-LO CONHECIDO!

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

A modernidade e as amplas prateleiras do mercado religioso

Esse foi um texto extraído do blog do Ed René Kivitz, da Ibab.  A última declaração do escritor diz tudo.

 
A modernidade e as amplas prateleiras do mercado religioso!
O aspecto mais relevante do novo cenário religioso no Brasil revelado pelas pesquisas recentes é o surgimento de uma nova personagem: o religioso não institucionalizado, que busca uma experiência de espiritualidade não tutelada pelas hierarquias das religiões formalmente organizadas em termos de dogmas, rituais e códigos morais. Vivemos os dias da religião sob medida, montada por consciências individuais que misturam os ingredientes disponíveis nas prateleiras do mercado religioso.

O sociólogo Otto Maduro define religião como “conjunto de discursos e práticas referentes a seres superiores e anteriores ao ambiente natural e social, com os quais os fiéis desenvolvem uma relação de dependência e obrigação”. As ciências da religião sugerem que as religiões se estruturam com base em dogmas, rituais e tabus, isto é, crenças adotadas como verdades inquestionáveis, celebrações litúrgicas em homenagem e devoção às divindades, e regras de comportamente moral que acarretam benesses ou maldições. A modernidade não conseguiu acabar com a relação de dependência e obrigações, pois o ser humano é essencilamente assustado com a ideia da morte, atormentado pela sua finitude, encurvado pelo peso de uma culpa ancestral, apovarado ante o mistério da imensidão do Cosmos, e perdido em termos de sentido para a existência. Por essa razão, buscará sempre seus deuses, fabricará seus ídolos e se curvará diante disso que Rudolf Otto chamou de mysterium tremendum, a que damos o nome de Deus.

Mas a modernidade destruiu, sim, a religião como sistema de dogmas, rituais e tabus. O conceito de modernidade nos remete à segunda metade do século XVIII, com a revolução industrial – capitalismo, ciência e técnica, urbanismo, desenvolvimento ilimitado, e a revolução democrática sensível aos direitos humanos, e principalmente ao conceito de indivíduo e ao descobrimento da subjetividade, que afirma a consciência individual acima de qualquer autoridade, e liberta o indivíduo de sua dependência das instituições sociais, inclusive e principalmente religiosas.

Este ideário moderno exige dois outros aspectos da individualidade: a autonomia e a racionalidade. Autonomia – a lei em si mesmo, fala da capacidade do indivíduo agir movido e orientado por sua própria consciência, assumindo, portanto, a responsabilidade pelos seus atos. Implica todo poder normativo subordinado à consciência individual, e conseqüentemente a rejeição de todo poder arbitrário e dogmático, quer seja ele representado por um Estado ou governo, uma ideologia ou religião, ou mesmo uma divindade ou em última instância Deus. O princípio cartesiano “penso, logo existo” explica o Iluminismo como esclarecimento racional, em oposição ao dogmatismo fundamentalista e obscurantista.

O resultado desse processo é que a modernidade, apesar de avanços significativos – o pluralismo ideológico, a abrangência da educação, a superação da superstição e a emancipação da ciência, também significou racionalismo, individualismo, humanismo, e secularismo – a religião fora do espaço público e o universo vazio do divino e do sagrado. A modernidade deu origem a “ismos” tão opressivos e escravizadores das consciências e das massas quanto os “ismos” religiosos contra os quais se levantou.
A verdade é que os avanços da ciência, da técnica e da razão, que em tese deveriam construir um mundo melhor, promover a justiça e a paz, e apontar caminhos para a felicidade e a realização existencial do ser humano, de fato fizeram água. O saldo da modernidade é o rompimento com as instituições sociais religiosas e o abandono da pessoa humana à sua própria consciência e à mercê de sua liberdade. Mas ainda carregando no peito as mesmas questões que afligiam nossos antepassados. O vazio do universo implicou também um vazio de sentido (niilismo) e um vazio de critérios morais para ordenação da vida. Essa é uma das compreensões possíveis à denúncia de Fiódor Dostoiévski: “Se Deus não existe tudo é permitido”. Eis porque a experiência religiosa tutelada pelas religiões institucionalizadas se esvaziou, mas a busca pelas dimensões da espiritualidade cresce a olhos vistos.

O rebote da modernidade é a chamada pós modernidade – ou hiper-modernidade, alta modernidade, modernidade tardia, modernidade radicalizada, modernidade líquida, seja lá como quiser chamar. O tempo se encarregou de desmascarar as pretensões da razão humana e fez as vezes dos profetas e sábios místicos que sempre insistiram em afirmar que a realidade é distante e profunda, e que o universo esconde mais mistérios do que é capaz de descernir a “vã filosofia”. O mundo atual se explica mais pelo recrudescimento dos fundamentalismos religiosos do que pela ausência de religião. Em resposta ao relativismo e ao niilismo moderno, a religião ressurge na pós modernidade com uma força avassaladora.

Ainda que afetados por interesses geopolíticos e econômicos, o conflito entre Ocidente e Oriente não pode ser entendido nem terá solução sem uma clara comprensão das forças e implicações do embate entre o
Cristianismo e o Islamismo como matrizes de sentido para as civilizações que sustentam. Alguns dos mais relevantes debates contemporâneos, quer sejam científicos, éticos, políticos ou econômicos são travados na arena religiosa: criacionismo versus evolucionismo como teoria a ser ensinada nas escolas, o aborto como questão moral ou de saúde pública, e os direitos civis dos homossexuais e as controvérsias ao redor das leis contra a homofobia, são exemplos recentes de conflitos entre os que acreditam na prosperidade social atrelada ao retorno aos valores religiosos da tradição judaico-cristã contra aqueles que defendem um estado laico e secular.

Assim como em muitos de seus intentos, a modernidade fracassou também em acabar com a religião. A racionalidade científica e o secularismo obviamente não conseguiram provar que Deus não existe, pois Deus não é variável epistemológica, isto é, Deus não é passível de verificação em testes de laboratório. Mas a modernidade conseguiu ainda que temporariamente desferir um duro golpe nos representantes de Deus, notadamente as instituições religiosas e seu clero. A experiência religiosa já não se resume à obediência cega aos dogmas e à hierarquia institucional. A sociedade moderna não abandonou Deus, mas colocou seus intérpretes e seus representantes coletivos sub judice. Deixou de lado as tradições e seus necessários hábitos, costumes e crenças. E partiu para uma viagem pessoal e particular rumo à religião privatizada e a uma experiência de fé à la carte.

As massas decepcionadas com a modernidade e suas promessas voltam a correr para as categorias do sagrado, do transcendente, e do divino. Nos países do chamado terceiro mundo a religião nunca saiu de moda. Conceitos como modernidade e pós modernidade passam longe dos dilemas de quem vive na pobreza e na miséria extrema. Os resultados das últimas pesquisas a respeito do cenário religioso no Brasil indicam que com sua mensagem que enfatiza o poder do Espírito Santo e a interferência de Deus no cotidiano das pessoas, as igrejas evangélicas crescem sem parar. Motivados pela busca de solução para seus problemas pessoais e dificuldades de inserção na sociedade, as massas se convertem à esperança prometida pela religião. As pessoas trocam de religião ou de credo em virtude de questões como desemprego, doenças na família, problemas conjugais, perdas significativas e sofrimento intenso, e também e principalmente a solidão e a necessidade de sentido existencial. Quem não tem para onde correr, corre para Deus. Os que sabem disso e não têm escrúpulos em se aproveitar da fragilidade de quem sofre são protagonistas de um processo nefasto que mantém acesa a fogueira da religião entendida no pior de seus sentidos.

O atual retrato da fé permite a afirmação de que, se é verdade que as instituições religiosas estão abaladas, Deus continua vivo como sempre, e adorado – ou idolatrado – como nunca.

[Publicado originalmente no jornal Valor Econômico, 14 de outubro de 2011]"

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Adoração Extravagante



"(...) E eis que uma mulher da cidade, pecadora, sabendo que ele estava à mesa na casa do fariseu , levou um vaso de alabastro com unguento; e , estando por detrás, aos seus pés, chorando, regava-os com suas lágrimas e os enxugava com os próprios cabelos; e beijava-lhe os pés e os ungia com unguento."
                                                     Ev. Lucas 7.37-38





           Esse texto muito me chamou a atenção quando o li, hoje no ônibus. Tenho costume de carregar um Novo Testamento na bolsa, por ser levinho e prático. Aí geralmente no trajeto vou lendo alguns trechos, até que me deparei neste, muito chocante por sinal.
           Vamos imaginar a cena: Jesus; aquele homem que vinha dizendo ser o Salvador e que vinha fazendo muuuuuitos milagres e sinais; foi almoçar na casa de um fariseu; um religioso judeu. Ele entrou, sentou-se, e apareceu uma mulher "da vida" (no português claro...), começou a chorar aos seus pés, e derramava aquele perfume caríssimo, e enxugava com seus cabelos, beijando os pés de Jesus.
           Um tanto estranho se formos pensar numa situação como se fosse nos dias de hoje não? Mas a lição que eu consigo tirar é que ali, ela expressou seu amor, sua Adoração. Um tanto extravagante não ? Qual de nós choraria aos pés de um homem (digo literalmente), derramaria todo seu perfume importado (ou que gostaria de ter, no meu caso como se eu tivesse um Nina Ricci novinhoooo) nos pés desse homem, e ainda por cima enxugaria com os próprios cabelos?
          Todas nós somos tão pecadoras quanto aquela mulher. Todas nós recebemos o perdão do Senhor Jesus assim como aquela mulher. E por que não nos derramamos como aquela mulher ? Vou separar em 4 pontos interessantes de serem observados:
         #Ela chorou, ajoelhada, mesmo sabendo que outras pessoas a olhavam.
         #Ela deu o melhor de seus recursos, pois o unguento era um perfume que equivalia à 300 dias de salário.
         #Os pés dele foram enxugados com seu próprio cabelo.
         # Os pés dele deviam estar com poeira, com calosidades, pois como devem imaginar, ele fazia vários trajetos à pé. E mesmo assim, ela humilhou-se, e beijou-lhe os pés.

        É claro que hoje não se pode mais fazer isso, mas é sem dúvida, uma grande lição para nós. Adoração hoje, é aquela do sacrifício vivo (Rm 12.1-2), onde se ama à Deus com todo o coração, com toda a alma, toda a força e entendimento. Essa é a adoração que Deus quer de nós, a adoração completa, extravagante para alguns, mas INTEIRA.

"E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma."
                                                                                                                   Tiago 1:4


Essa música tem tudo à ver...


domingo, 9 de outubro de 2011

Nem de mais, nem de menos...


      É muito comum ouvir naquelas conversas de banheiro (mulheres sabem do que estou falando), várias reclamações das mulheres sobre a sua aparência física. Pesquisa afirma que aproximadamente 50% das mulheres se sentem insatisfeitas com sua aparência (apesar de eu achar que 99,9% seja uma quantidade mais real).


      O que determina a beleza em nossa sociedade é a mídia, as grandes marcas de roupas e tecnologias. Porém sabemos muito bem que tudo isso faz parte de um jogo de marketing, simplesmente para que você compre. Sabemos também que esse jogo de marketing é estratégia do inimigo de nossas almas, Satanás.
O padrão é este: ou você deve ser muito magra (e sofrer com disturbios alimentares e piscicológicos ), ou deve ser, como posso dizer, turbinada (e ser vista pelos homens apenas como objeto sexual, causando problemas emocionais).
     As coisas do Reino de Deus sempre são o posto das coisas deste reino, o padrão de Deus, e consequentemente dos homens de Deus, é bem dinferente...

"Pelo contrário, esteja no ser interior, que não perece, beleza demonstrada num espírito dócil e tranqüilo, o que é de grande valor para Deus."
                                                                                                                       1 Pedro 3:4

    Não existe mulher que seja feia praticando essas coisas. No decorrer desse texto, fala que as mulheres santas do passado (Sara, Ester, Raquel, e tantas outras), se adornavam com essa beleza, e em outras palavras, que por causa da sua ajuda, sabedoria e companheirismo seus maridos prosperaram (não necessariamente na questão financeira, mas espiritualmente também).
    A beleza aos olhos de Deus está no caráter, e nas suas características físicas, o que faz de você diferente de todas as outras mulheres do mundo. A beleza está nas diferenças!
    Cuidados básicos como:
    1- Higiene: Andar sempre com os dentes escovados e bom hálito (bafinho ninguém merece né?), os cabelos limpos (nada de pastel de feira...), as unhas limpas (além de dizer também que não é bom deixar ela tipo Zé do Caixão) e usar desodorante principalemnte nos dias quentes.
    2-Vestimenta: você não pecisa de roupas caras para estar bem vestida. UMA COISA NÃO ESTÁ RELACIONADA À OUTRA. Se vista com descência, sem decotes, saias muito curtas, ou calças que mais parecem meia-calças.
    Valorize-se! Não se vista como uma freira, mas também não se vista como uma prostituta. Se você mesma não se respeitar, ninguém mais o fará.
    Dessa forma, nos sentiremos bonitas, com boa alto-estima. Nem de mais, para que o ego seja alimentado, e nem de menos, para nos causar depressão.
   Deus deseja que sejamos felizes!

"Pois eu bem sei os planos que estou projetando para vós, diz o Senhor; planos de paz, e não de mal, para vos dar um futuro e uma esperança."
                                                                                                                             Jeremias 29:11



quarta-feira, 24 de agosto de 2011

C.S. Lewis, a queda de um ateu

    Confesso que não gosto, e muitas vezes não leio posts grandes nos blogs, porém, esse escritor e grande pensador é um dos meus preferidos,, então quis compartilhar a vida dele com vocês!
    Qual o verdadeiro poder da Bíblia? Será que ela também serve para grandes pensadores e intelectuais?
Segue a história de C.S. Lewis, criador de "As crônicas de Nárnia" (que amo de paixãaaao, e que passei a gostar mais ainda quando soube da história do autor), e de tantos outros livros...

Com vocêeeees...

"C.S. Lewis: a queda de um ateu"
O escritor que considerava Deus seu inimigo e se tornou um defensor da fé. Muitos leitores o consideraram o escritor mais influente em suas vidas.
Por Christian History & Biography

“O cristianismo, se é falso, não tem nenhuma importância, e, se é verdade, tem infinita importância. O que ele não pode ser é de moderada importância” - C.S. Lewis.

“Ele era um homem pesado que parecia ter 40 anos, com um rosto carnudo e oval e compleição sadia. Seu cabelo preto já tinha deixado a testa, o que o tornava especialmente imponente. Eu nada sabia sobre ele, exceto que era o professor de Inglês da faculdade. Eu não sabia que ele tinha publicado algum livro assinando seu próprio nome (quase ninguém o fazia). Mesmo depois de eu ter sido aluno dele por três anos, nunca passou pela minha cabeça que ele poderia ser o autor cujos livros vendiam em média dois milhões de exemplares por ano. Uma vez que ele nunca falou de religião enquanto eu era seu aluno, ou até que ficássemos amigos, 15 anos depois, parecia impossível que ele fosse o meio pelo qual muitos chegariam à fé cristã”. Mesmo para seu melhor biógrafo e amigo de longa data, George Sayer, Clive Staples Lewis era uma surpresa e um mistério.

Como J.R.R. Tolkien aconselhou Sayer: “Você nunca chegará ao fundo dele”. Mas compreender ou até mesmo concordar com Lewis nunca foram pré-requisitos para gostar dele ou admirá-lo.

Seus livros continuam vendendo extremamente bem (a série As crônicas de Nárnia, por exemplo, está entre os 200 títulos mais vendidos da Amazon.com) e muitos leitores o consideraram o escritor mais influente em suas vidas. Um feito e tanto para um homem que por muito tempo desacreditou “a mitologia cristã” e considerava Deus “meu inimigo”.

Lewis nasceu em Belfast, na Irlanda, em uma família protestante que gostava de ler. “Havia livros no escritório, livros na sala de jantar, livros na chapeleira, livros na grande estante no alto da escada, livros no quarto, livros empilhados até a altura do meu ombro no reservatório de água no sótão, livros de todos os tipos”, Lewis lembrava, e tinha acesso a todos eles. Em dias chuvosos – e havia muitos no norte da Irlanda – ele tirava muitos volumes das prateleiras e entrava em mundos criados por autores como Conan Doyle, E. Nesbit, Mark Twain e Henry Wadsworth Longfellow.
 
Depois que seu único irmão, Warren, foi mandando para um colégio interno na Inglaterra em 1905, Jack, nome adotado por ele mesmo aos 3 anos, tornou-se um recluso. Ele passava mais tempo com os livros e um mundo imaginário de “animais vestidos” e “cavaleiros de armadura”.
 
A morte de sua mãe, de câncer, em 1908, tornou-o ainda mais introvertido. A morte da Sra. Lewis veio apenas três meses antes do décimo aniversário de Jack, e este jovem estava muito abatido pela perda de sua mãe. Além disso, seu pai nunca se recuperou totalmente da morte dela, e os meninos sentiram-se cada vez mais afastados dele; a vida em casa nunca mais foi agradável e satisfatória.
 
A morte da mãe convenceu o jovem Jack de que o Deus que ele encontrava na Bíblia que sua mãe lhe dera não respondia sempre às orações. Esta dúvida inicial, somada a um regime espiritual excessivamente severo e a influência de uma governanta do colégio interno moderadamente ocultista alguns anos depois fizeram Lewis rejeitar o cristianismo e tornar-se ateu declarado.
 
Lewis entrou em Oxford em 1917, como aluno e, na verdade, nunca saiu. “O lugar ultrapassou meus sonhos mais incríveis”, ele escreveu a seu pai depois de passar seu primeiro dia lá. “Eu nunca vi nada tão lindo”. Apesar de uma interrupção para lutar na Primeira Guerra Mundial (na qual foi ferido pela explosão de uma granada), ele sempre manteve seu lar e amigos em Oxford. Sua ligação com o lugar era tão forte, que quando ele ensinou em Cambridge, de 1955 a 1963, ele voltava à Oxford nos fins de semana para que pudesse estar perto de lugares e amigos que ele amava.

Em 1919, Lewis publicou seu primeiro livro, uma série de versos líricos sob o pseudônimo de Clive Hamilton. Em 1924, tornou-se instrutor de filosofia na University College, e no ano seguinte foi eleito membro do Magdalen College, onde ele era instrutor de Língua Inglesa e Literatura. Seu segundo volume de poesia, Dymer, também foi publicado sob um pseudônimo.

Conforme Lewis continuou a ler, passou a apreciar de modo especial o autor cristão George MacDonald. Um volume de Phantastes desafiou poderosamente seu ateísmo. “O que ele fez de verdade comigo, escreveu Lewis, foi converter, mesmo batizar... minha imaginação.” Os livros de G.K. Chesterton trabalharam da mesma forma, especialmente The Everlasting Man [O homem eterno], que levantou sérias questões sobre o materialismo do jovem intelectual.

“Um jovem que deseja permanecer um ateu assumido não pode ser muito cuidadoso com sua leitura”, Lewis escreveu mais tarde em sua autobiografia Surpreendido pela alegria. “Deus é, se posso dizer assim, incompreensível”.
 
Enquanto MacDonald e Chesterton estavam mexendo com os pensamentos de Lewis, seu amigo íntimo, Owen Barfield, atacava a lógica do ateísmo de Lewis. Barfield tinha se convertido do ateísmo para o teísmo, e então, finalmente, ao cristianismo, e ele freqüentemente atormentava Lewis sobre o seu materialismo. O mesmo fazia Nevil Coghill, um brilhante colega estudante e amigo de longa data, que, para a surpresa de Lewis, era “um cristão e um supernaturalista radical”.
 
Logo depois de entrar para a Faculdade de Inglês em Magdalen College, em Oxford, Lewis conheceu mais dois cristãos, Hugo Dyson e J.R.R. Tolkien. Estes homens tornaram-se amigos íntimos dele. Ele admirava sua lógica e o fato de que eram brilhantes. Logo Lewis percebeu que a maioria dos seus amigos, assim como seus autores favoritos – MacDonald, Chesterton, Johnson, Spenser e Milton – criam neste cristianismo.
 
Em 1929 estas estradas se encontraram e Lewis se rendeu, admitindo: “Deus era Deus. Ajoelhei e orei”. Em dois anos, o relutante convertido também passou do teísmo para o cristianismo e entrou para a Igreja Anglicana da Inglaterra.

Quase imediatamente, Lewis tomou uma nova direção, mais notadamente em sua escrita. Os esforços anteriores para ser um poeta foram deixados de lado. O novo cristão devotou seu talento a escrever prosa, que refletia sua fé recém-encontrada. Depois de dois anos de sua conversão, Lewis publicou O regresso do peregrino (1933). Este pequeno volume abriu uma torrente de 30 anos de livros sobre a defesa da fé cristã e discipulado que se tornaram a ocupação de toda sua vida.
 
Nem todos aprovavam seu novo interesse em apologética. Lewis recebia críticas dos membros do seu círculo mais íntimo de amigos, os Inklings (o apelido do grupo de intelectuais e escritores que se encontravam regularmente para trocar idéias). Mesmo amigos mais íntimos cristãos como Tolkien e Owen Barfield desaprovavam abertamente a fala e a escrita evangelísticas de Lewis.

De fato, os livros “cristãos” de Lewis causavam tanta desaprovação que mais de uma vez ele perdeu a nomeação para professor em Oxford, com as honras indo para homens com menores reputações. Foi no Magdalene College, na Universidade de Cambridge, que Lewis foi finalmente honrado com uma cadeira em 1955.

Os 25 livros cristãos de Lewis venderam milhões de exemplares, incluindo: Cartas de um diabo ao seu aprendiz (1942), Cristianismo puro e simples (1952), As crônicas de Nárnia (1950-56), O grande abismo (1946) e A abolição do homem (1943) – obras que a Encyclopedia Britannica incluiu em sua coleção de Grandes Livros do Mundo.
 
Embora seus livros tenham lhe dado fama mundial, Lewis era em primeiro lugar um estudioso. Ele continuou a escrever história e crítica literária, tais como The Allegory of Love [A alegoria do amor] (1936), considerado um clássico em sua área, e English Literature in the Sixteenth Century [Literatura inglesa no século 16] (1954).

Apesar de seus muitos feitos intelectuais, ele se recusou a ser arrogante: “A vida intelectual não é a única estrada para Deus, nem a mais segura, mas sabemos que é uma estrada, e pode ser a que foi apontada para nós. É claro, assim será enquanto mantivermos o impulso puro e desinteressado”.

Lewis teve pelo menos um choque de discordância em sua estrada intelectual: um debate em 1948 com a filósofa britânica Elizabeth Anscombe. Anscombe leu um trabalho diante do Oxford Socratic Club (um fórum que Lewis dirigiu por muitos anos) no qual ela atacou a recente publicação de Lewis, Milagres, e todo seu argumento contra o naturalismo. Ela venceu naquele dia, e relatos dizem que ele ficou “profundamente perturbado” e “muito triste”. Ele nunca mais escreveu sobre apologética pura, embora continuasse a comunicar sua fé através da ficção e de outras formas literárias.
 
Os livros não eram o único meio de compartilhar sua mensagem. Em 1941, o diretor de transmissão religiosa da BBC (que encontrava conforto pessoal através da leitura de O problema do sofrimento) perguntou se Lewis estaria interessado em falar no rádio. Embora o escritor odiasse rádio, ele reconheceu a oportunidade de alcançar uma audiência maior. O resultado foram sete grupos de conversas, transmitidos entre 1941 e 1944, com títulos como Right and Wrong: A Clue to the Meaning of the Universe [Certo e errado: uma idéia do significado do universo] e What Christians Believe [No que acreditam os cristãos].

As transmissões semanais eram muito populares – justamente o que os britânicos precisavam, pois andavam desencorajados e cansados da tristeza da Segunda Guerra Mundial. Sayer conta: “Eu me lembro de estar num bar cheio de soldados em uma noite de quarta-feira. Às 7h45, o barman ligou o rádio no programa de Lewis. ‘Ouçam este sujeito’, ele gritou, ‘vale realmente a pena ouvi-lo’. E os soldados ouviram com atenção por 15 minutos”.

Além da fama crescente de Lewis como palestrante e um defensor da fé, as conversas na BBC produziram, pelo menos, dois grandes resultados. Um foi o livro Cristianismo puro e simples (1952), uma coleção destes programas, que hoje em dia é a segunda obra mais vendida de Lewis. O outro foi um dilúvio de correspondências, incluindo muitas cartas de pessoas que buscam algo no mundo espiritual para quem ele desejava dar uma resposta pessoal e detalhada. O grande volume de cartas levou-o a buscar a ajuda de seu irmão Warren como secretário, mas não lhe impediu de criar respostas que mostravam a mesma clareza de pensamento e graça literária encontrada em toda a sua obra.
 
Uma correspondente em particular teve um papel importante na vida de Lewis. Em 1950, ele recebeu uma carta de Joy Davidman Gresham, uma nova-iorquina que se tornou cristã lendo O grande abismo e Cartas de um diabo a seu aprendiz. Lewis ficou impressionado com sua escrita e com a mente por trás de tudo e uma correspondência alegre e intensa se seguiu.
 
Dois anos depois, Joy atravessou o Atlântico para visitar seu mentor espiritual na Inglaterra. Logo depois, seu marido alcoólatra a abandonou para viver com outra mulher e ela se mudou para Londres com seus dois filhos adolescentes, David e Douglas. Joy aos poucos entrou em problemas financeiros. Lewis a ajudou, assumindo as despesas do colégio interno dos meninos e pagando o aluguel de uma casa não muito longe da sua. Entre os dois cresceu uma profunda amizade, para o desgosto de muitos dos amigos de Lewis. Joy tinha muitos pontos contra ela: era americana, de descendência judia, ex-comunista, 16 anos mais jovem que Lewis, divorciada e com personalidade forte. Entretanto, ela estimulava a escrita de Lewis, e ele gostava de sua companhia.
 
Ainda assim, não foi o amor, em primeiro lugar, que os motivou a se casarem em 1956. Joy não conseguiu renovar seu visto para viver na Inglaterra; sua única chance de ficar no país, então, era casar-se com um inglês. Lewis, gentilmente, ofereceu seus préstimos.
 
Poucos meses depois da cerimônia de casamento civil, algo aconteceu para levantar as emoções de Lewis. Depois de uma queda grave em sua casa, Joy foi diagnosticada com câncer nos ossos. “Desde que ela foi atingida por esta notícia, eu a tenho amado mais”, Lewis escreveu a um amigo. Os dois se casaram numa cerimônia religiosa, com Joy de cama, e ela se mudou para a casa de Lewis, aparentemente para aguardar sua morte.

No que pareceu um milagre, sua condição melhorou e ela e Lewis viveram três anos felizes juntos. Como ele escreveu para um amigo logo depois do seu casamento: “é engraçado ter aos 59 anos o tipo de felicidade que a maioria dos homens tem aos 20... ‘Mas você guardou até agora o melhor vinho’”. Uma escritora por seus próprios méritos, sua influência sobre o que Jack considerou seu melhor livro, Till We Have Faces [Até que tenhamos rostos] (1956), foi tão profunda que ele contou a um amigo próximo que ela foi, na verdade, sua co-autora.
 
A morte de Joy, em 1960, assim como a de sua mãe, foi para Lewis um duro golpe. O melhor modo que ele conhecia para lutar contra seus sentimentos de luto, raiva e dúvida era escrever um livro. A anatomia de uma dor apareceu em 1961, e veio ao público sob um pseudônimo, porque era algo tão íntimo e pessoal que Lewis não suportaria publicá-lo com seu próprio nome. Poucos exemplares foram vendidos até que ele foi relançado com o nome verdadeiro do autor, após a sua morte.

No verão e outono de 1963, a saúde de Lewis se deteriorou. Ele morreu enquanto dormia, no dia 22 de novembro: no mesmo dia em que John F. Kennedy foi assassinado. Talvez por causa do choque mundial pela morte do presidente, Lewis quase não foi mencionado nos jornais, e seu funeral teve a participação de sua família e de seus amigos íntimos, incluindo os Inklings.

Lewis pode ter sido enterrado sem alarde, mas seu impacto nos corações e vidas nunca parou de crescer. Nas palavras do líder cristão e escritor John Stott: “Ele era centrado em Cristo, um cristão de tendência da grande tradição, cuja estatura, uma geração após sua morte, parece maior do que qualquer um jamais pensou enquanto ele ainda estava vivo, e cujos escritos cristãos são agora vistos como tendo status de clássicos... Eu duvido que alguém tenha conseguido compreendê-lo completamente”.
 

Ted Olsen é diretor de notícias e diretor de redação de conteúdo online do grupo Christianity Today International.

Copyright © 2011 por Christianity Today International


Fonte: http://cristianismohoje.com.br/interna.php?id_conteudo=744&subcanal=45

sábado, 20 de agosto de 2011

A mais bela utilidade para o sofrimento



"Você pode amarrar as lindas Plêiades*?
Pode afrouxar as cordas do Órion*?
Pode fazer surgir no tempo certo a estrela da manhã
ou fazer sair a Ursa* com seus filhotes?
Você conhece as leis dos céus?
Você pode determinar o domínio deles sobre a terra?"
                                           Livro de Jó, 38.31-33



*Nomes de estrelas e constelações.



        O livro de Jó está inserido na lista dos livros poéticos, junto com Salmos, Provérbios, Eclesiastes e Cântico dos Cânticos. Uma história bela, sofrida e da qual podemos tirar várias lições.
        Jó era um homem que possuia tudo, boa família, bens materias, e era temente a Deus. Fazia ofertas ao Senhor em favor de seus filhos e tudo o mais. Até que um dia perddeu tudo isso, inclusive sua saúde. Seus "amigos" achavam que ele havia feito algo de que Deus não se agradava, e por isso estava sofrendo tanto.
Porém, no desespero de Jó, à procura de respostas, ele encontrou algo muito especial.
       Aquele à quem Jó tinha como Deus, era seu conhecido só de ouvir falar. E Jó, em plena tempestade, começa então a ouvir a Deus. E uma sequência de palavras do Senhor foram ouvidas por ele, tais quais no trecho acima. Todo o seu sofrimento, foi na verdade, com o propósito de que Jó conhecesse o Criador das Estrelas, dos mares, e enfim, de todo Universo, inclusive do próprio homem. Querendo dizer assim, que Ele é quem possui o controle de todas as coisas, e tudo o que nos sucede não está fora do seu alcance.
        O mesmo que controla as estrelas do céu, é o mesmo que pode controlar a nossa vida, se quisermos que Ele assim o faça. Alguém que fez coisas tão bonitas, e tão perfeitas, e faz manutenção da engrenagem das órbitas, ajusta o relógio do Universo, e sustenta em suas mãos todo o céu, não cuidará muito bem de nós? Isso me leva a pensar, como deve ser até uma ofensa ao caráter de Deus, não confiar nEle. Não confiamos pois não sabemos quem Ele  é. E é por isso que muitas vezes, passamos por situações difíceis. É por que Ele quer que nós o conheçamos.
       E voltando à Jó, depois que conheceu verdadeiramete à Deus, ele recebeu de em dobro tudo o que havia perdido, pois Deus não nos faz sofrer sem que isso produza virtudes em nós, e para nós. Mesmo que não recebamos a recompensa aqui, com o Jesus Cristo é certo que algo muito melhor que bens terrenos nos sobrevirão, quando estivermos ao Seu lado.
      Então esse é o nosso desafio, aproveitar os nossos sofrimentos, para conhecer à Jesus.


"Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, que não muda como sombras inconstates.Por sua decisão Ele nos gerou pela palavra da verdade, a fim de sermos como que os primeiros frutos de tudo o que Ele criou."
                                                                                                                    Tiago 1.17